Minha história

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

De controle

Filed under: De bem com a vida — Maria Lucia Solla @ 18:10
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Olá,

a gente ouve dizer: elimina o ego, luta, abafa ele para que o espírito se expresse.

não sei você eu ouço esse tipo de coisa

seguidamente e fico abismada

é o mesmo que dizer corta a língua porque ela

às vezes é inadequada

não é a língua vilã nem o ego vilão

é a educação que está voltada para o lado errado

é ela que está na contramão

O mapa do ser humano deveria ser a primeira coisa a ser estudada na escola, porque do jeito que a coisa vem se perpetuando, há milênios, vivemos como se saíssemos de uma concessionária em Londres, onde se dirige do lado esquerdo da rua, dirigindo um carro sofisticadíssimo, sem ter lido o manual, sem saber o que fazer com botões e painéis eletrônicos  e sem ao menos a explicação básica, dada pelo vendedor da loja. É assim que temos vivido.

Se aprendêssemos a nos conhecermos, na escola, saberíamos que o ego vem no pacote e não é acessório. Faz parte do kit sobrevivência. Ele é um tipo de polícia social, juiz, regrador, e é evidente que se está no pacote não deve ter sido por acaso ou por engano, visto que todos temos. Mas vamos concordar que tudo, além de ter o seu contraponto, pode ser usado da forma que quisermos. Com as mãos se faz carinho e se mata, com o discurso se incentiva ou pisa na cabeça e afunda o outro, de vez.

Como tudo o que há em nós é para ser usado, o ego não foge à regra. Se não me domo, faço o que não devo e sou inconveniente, até certo ponto é o ego que ajuda na decisão de até onde posso ou devo ir.

mas se não souber usar o ego

como cavalo desgovernado

ele troteia por onde bem entende

e a gente acaba encrencado

O risco de deixar o ego a deriva é que, com esse negócio de autoridade e de ser o segurança da porta do inconsciente, o poder lhe sobe à cabeça e já sabemos o que isso gera no outro, no vizinho, no parente, na comadre. E como a gente só enxerga o outro, com os dois olhos bem na frente e no alto, vai deixando o ego solto, livre, e ele vai dominando mais, quanto menos conscientes estamos. A vigília é para sempre, diz o Paulinho: “é para a eternidade, mãe”.

Talvez pelo fato de ego em latim e εγω no grego quererem dizer eu, a gente acredite que é o ego, assim como tem gente que acredita ser o carro que dirige, a roupa ou as jóias que veste.

ego truculento ocupa espaço demais e amedronta

ego fracote ocupa espaço de menos e amedronta

ego sem limite é descontrolado e amedronta

Medo é um bom termômetro para a gente saber se o ego vai bem obrigada, e se vai na direção que o Eu completo e verdadeiro escolhe para si.

Um bom método de direcionar o ego, de calibrá-lo, é medir o medo e quebrar hábitos, desapegar-se de razões e certezas e jogar fora o crachá onde se lê: controlador.

E o seu crachá, onde está?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem

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